EDSON FREIRE. Poeta sedutor, suas palavras calam fundo....

Edson Freire. Poeta e escritor.

Textos


NAS  PATAS  DO  MEU  CAVALO

                                              (Homenagem  ao  cowboy  brasileiro)

Percorrendo estrada afora,
com  rédeas  na   montaria,
nos passos do meu cavalo
eu não preciso de espora
e  no  tempo, em cada dia,

meu  relógio não tem  hora.
Nos rumos do meu caminho,
pouco tempo ou na demora,
se  não  tenho  companhia
eu   nunca   fico    sozinho,
meu   cavalo   é    parceria.

Enfrentando a travessia,
eu levo a vida  montado.

Nos  percalços  pela via,
às vezes,  tenho cuidado,
tenho, às  vezes,  valentia.
Se eu contar minhas proezas
nos   ganhos  e   avarias,
há   memórias  de  tristezas,
mas, muito mais, de alegrias. 


Quando o touro endiabrado
se  desgarra  do  caminho
e   pelo   mato  adentrado
se    arremete    sozinho,
em   temerosa   corrida,
não importando o perigo,
ao   galope  do   cavalo,
onde se  meta o  bovino,

desafio  é   encontrá-lo
e  travar o seu  embalo.
Às  vezes,toda a  boiada,
no  caminho   estourada,
é  que  fica  enlouquecida,
para    tê-la    dominada,
com  coragem  destemida,
eu  arrisco a  própria vida.

Mas, quando labor cumprido,
ao    final    da   empreitada,
eu  me  sinto   envaidecido,
triunfalmente    montado
e   até  o   meu   cavalo,
companheiro  na  porfia,
se nos olhos bem  olhado,
demonstra  sua   alegria!

Sempre  firme  sobre  o arreio,
não me incomoda  o cansaço,
não  me   intimida   o  receio.

Trotando no  passo  a  passo,
ou  na  cadência  da  marcha

e    até     na      disparada,
em   cada  coisa  que  faço,
sou   forte   na   cavalgada,
sou  certeiro com meu  laço

Quando estou na caminhada,
a chuva  que  vem  do  céu
me  deixa  a  pele  lavada;

me faz  a  pele  queimada
o  sol que  castiga o chão.
Tais ocorrências  no tempo,
tropeços  outros, na estrada,
não  mudam  minha  paixão.
No  prazer  de  minha andança,
sejam   idas,   sejam  voltas,
na sequência das passagens
,
meus  olhos  colhem  visões,
variando    as     paisagens,
dispersas     nas     regiões.

Ao tocar o  meu berrante,
na    jornada   de   peão,
levo  a   boiada   adiante,
mas, o som que sai cantante,

carregado   de    emoção,
tem  também o  meu lamento
pela    familia    distante.
Na  lembrança o sentimento
pela   memória   frequente
de tudo que  sinto  ausente.


Assim será,  até que um dia,
desmontado    pela    idade,
vou   deixar    a    montaria,
trocada    pela    saudade!





 
Edson Freire
Enviado por Edson Freire em 12/03/2014
Alterado em 09/05/2017


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