EDSON FREIRE. Poeta sedutor, suas palavras calam fundo....

Edson Freire. Poeta e escritor.

Textos

NO AEREOPORTO
     Espero o  meu vôo.
     Sentado num dos  bancos, observo. A movimentação é intensa: pra lá, pra cá.    As  mulheres dominam as  cenas. Haja olhos para observar a performance delas. São as vestes, as cores, os gostos na apresentação ou exibição feminina.
     Faz um pouco de frio no transcurso do inverno. Aproxima-se um casaco de pele, movido pela impertigada velha  nele  envolvida. Com o espantado colorido de um cachecol, aparece um assanhado  gay. Equi-
librando-se nos sapatos com saltos ponteagudos passa a adolescente
com ares de moça. Também,  mulheres maduras com decote ousado
para mostrar parte dos seliconados seios.   No meio dos transeuntes,
avisto o casal, cuja  mulher, com longas e esquisitas botas, conseguiu
meter o corpo nas apertadas vestes e ao seu lado um arcado velho,
cabelos  pintados.  No par, a minha  dúvida: esposo ou progenitor da
acompanhante?
      Em cada  mulher, confesso, prendo-me ao um volumoso detalhe: o tamanho das  nádegas, vulgarmente  chamadas de  bundas. Quan-
ta  variedade! Algumas, caídas; outras, bem servidas na abundância.
Poucas, ao meu ver e julgamento,  bundas  bem  feitas.
      Fixado nessa atração da  passarela, não punha meus olhos no grande relógio à  vista.   Tinha  ficado  atraído, mas, não estava  alí  para examinar preferencialmente as passantes.  Daí, o susto quando vi os  ponteiros do exposto relógio.
      Saí  correndo  para  não  perder  meu  vôo.
  
Edson Freire
Enviado por Edson Freire em 13/10/2008


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